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Lista de entidades relaciona empresas vistas como potencial ameaça à segurança ou à política externa dos EUA

EUA sancionam 28 entidades chinesas por abuso contra minorias

Departamento de Comércio inclui empresas de tecnologia e agências governamentais em “lista negra” de exportações. Washington denuncia violação de direitos humanos de uigures e outros grupos muçulmanos em Xinjiang.

O governo dos Estados Unidos incluiu 28 entidades chinesas em uma “lista negra” de exportações, em razão de violações de direitos humanos contra a minoria étnica uigur e outros grupos muçulmanos na região de Xinjiang.

A lista de entidades elaborada pelo Departamento de Comércio americano relaciona empresas que são consideradas como potenciais ameaças à segurança nacional ou aos interesses de política externa.

As entidades, segundo texto divulgado pelo Registro Federal dos EUA, “estão implicadas em violações e abusos contra os direitos humanos e implementação da campanha chinesa de repressão, detenção arbitrária em massa e vigilância de alta tecnologia contra uigures, cazaques e outras minorias muçulmanas”.

Ao anunciar a medida nesta segunda-feira (07/10), o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, disse que seu país “não irá tolerar a brutal supressão de minorias étnicas na China”.

Entre as entidades incluídas na lista de Washington está o Departamento de Segurança Pública de Xinjiang, junto com outras 19 agências governamentais menores.

Além disso, oito empresas foram afetadas, como a Hikvision, uma das maiores fabricantes de equipamentos de vigilância do mundo, e as companhias de inteligência artificial Megvil Technology e SenseTime. Todas estão proibidas de importar produtos americanos.

Recentemente, os Estados Unidos vêm reforçando a retórica contra as políticas chinesas em Xinjiang. Grupos de ativistas denunciam que Pequim deteve em torno de um milhão de uigures e membros de outras minorias muçulmanas em campos de reeducação, ações que o governo americano acusa de serem semelhantes às adotadas pelo regime nazista.

Durante a Assembleia Geral da ONU em setembro, o Departamento de Estado organizou um evento sobre o drama dos uigures. Na ocasião, o diplomata John Sullivan, vice-secretário de Estado, denunciou o que chamou de “terrível campanha de repressão da China”.

“Em Xinjiang, o governo chinês impede os muçulmanos de rezarem e de lerem o Alcorão, e já destruiu ou desfigurou um grande número de mesquitas”, disse Sullivan, acusando Pequim de bloquear o “direito inalienável de liberdade religiosa” dessas pessoas.

Nesta terca-feira, o Ministério do Exterior chinês criticou a medida do Departamento de Comércio dos EUA, dizendo que as acusações contra o país são infundadas. “Essa atitude viola as normas básicas das relações internacionais, interfere em assuntos internos da China e prejudica os interesses das partes chinesas. A China expressa forte insatisfação e se opõe resolutamente a isso”, disse o órgão em nota.

Até recentemente, a China negava a existência dos campos de reeducação. Mais tarde, acabou se referindo a esses locais como “escolas de treinamento vocacional”, justificando que são necessárias para controlar o terrorismo.

A inclusão das entidades na “lista negra” ocorre em um momento de tensões elevadas entre Washington e Pequim, com os dois países envolvidos em disputas no comércio internacional. As duas maiores economias do mundo vêm realizando aumentos mútuos nas tarifas de exportação que afetam bilhões de dólares no comércio bilateral.

Nesta segunda-feira, a Casa Branca anunciou que as conversas entre os dois países serão retomadas a partir da próxima quinta-feira, com uma reunião entre o enviado de Comércio da China, Liu He, o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin.

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