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Pesquisadores mostram na Câmara riqueza da Caatinga

O assunto foi discutido em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados

Ainda pouco conhecida, a vegetação da Caatinga corre o risco de desaparecer. Pesquisadores pediram na Câmara apoio dos deputados para a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) para incluir na Constituição o Cerrado e a Caatinga entre os biomas considerados patrimônio nacional. A chamada PEC do Cerrado e da Caatinga (PEC 504/10) já foi aprovada em 2010 no Senado e está pronta para ser incluída na pauta do Plenário da Câmara.

O deputado Túlio Gadelha (PDT-PE) defende a ideia. “É o bioma menos estudado e é também o bioma que é menos olhado pelo poder público. Infelizmente a Caatinga tem aí hoje quase 13% da sua área em termos de desertificação”, lamentou.

Gadelha também critica a falta de políticas públicas para a preservação desse território. “Nos governos recentes sempre tivemos um olhar de combate à seca e na verdade não tem como combater aquilo que é natural, como comprovado que desde que o país se entende por Brasil desde 1500 tivemos 72 grandes secas na região do semiárido e não tem como combater uma coisa que natural temos que aprender a conviver com ela”, alertou.

Inovação
A paisagem árida da Caatinga guarda soluções que prometem ser valiosas em tempos de mudanças climáticas, especialmente na produção de alimentos. No Sertão do Moxotó, em Pernambuco, pesquisadores brasileiros desenvolvem projeto que está revolucionando a vida de pequenos agricultores, unindo a produção de alimentos e de energia solar.

Pesquisadora do Instituto Agronômico de Pernambuco, Francis Lacerda explica que o projeto consiste na aquisição de painéis solares e de um sistema de reciclagem de água. “O sistema de aquaponia, no qual você pode fazer integração com mínimo de gasto de água possível, o ano inteiro. Então, independente do clima, é possível você produzir o ano inteiro e ter aí uma renda para o agricultor de aproximadamente dez mil reais por ano”, completou.

Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Paulo Nobre fala do potencial econômico para a região, que tem sol o ano inteiro. “Se nós computarmos o valor econômico de uma produção de milho no semiárido num ano chuvoso, soma três mil reais por hectare, sendo muito benevolente. Este mesmo hectare com painéis solares gera R$ 1,5 mil por ano. Este é o valor econômico da energia gerada”.

Produção de medicamentos
Pesquisando o conhecimento tradicional da população sertaneja, universidades brasileiras já comprovaram a aplicação do umbu para a gastrite, do babaçu como anti-inflamatório e do ouricuri como poderoso antibiótico.

A professora da Universidade Federal de Pernambuco Márcia Vanusa é uma das entusiastas do potencial da Caatinga na produção para a indústria farmacêutica.

“A gente já tem mais de 100 plantas catalogadas e essas plantas sempre alinhadsa com o uso tradicional por pessoas tradicionais, quilombolas, indígenas e agricultores. E aí a gente já confirmou mais de 80% desses usos dessas plantas por essas comunidades. Daí vai desde anti-inflamatórios e cicatrizantes antitumorais a antibióticos. Então é uma gama de potencialidade de novos fármacos”, concluiu.

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