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O Salar de Uyuni é uma das maiores atrações turísticas da Bolívia

Bolívia revoga parceria com empresa alemã para exploração de lítio

Governo de Evo Morales volta atrás na criação de joint venture para exploração do Salar do Uyuni, maior deserto de sal do mundo. Cooperação foi alvo de protestos da população local, e ativistas fizeram greve de fome.

O governo da Bolívia revogou neste domingo (03/11) a parceria com uma empresa alemã para produção de lítio. O projeto havia sido lançado há apenas um ano para a exploração do Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo e tido como a maior reserva de lítio do planeta.

Através de um decreto, o governo boliviano cancelou o acordo para uma joint venture, firmado em dezembro de 2018 em Berlim pela estatal boliviana Yacimientos de Litio Bolivianos (YLB) e a empresa alemã ACI Systems. Não foi divulgada uma justificativa oficial para a revogação do projeto.

A iniciativa enfrentava uma série de protestos no departamento boliviano de Potosí, onde fica o Salar de Uyuni. A população da região acusa a parceria de ser prejudicial aos interesses da comunidade local.

O governador de Potosí, Carlos Cejas, acusou “agitadores” de dentro e fora de seu estado de tentarem prejudicar o desenvolvimento da região.

“Infelizmente, chegamos a essa situação. Certamente o tempo dirá quem realmente agiu pensando em Potosí”, disse Cejas em entrevista coletiva para anunciar o cancelamento. “A situação é essa. Foi pedido que [o projeto] fosse revogado e, bem, aqui está.”

O cancelamento ocorre enquanto o presidente Evo Morales enfrenta uma série de protestos após sua reeleição em 20 de outubro, em eleições bastante contestadas. Antes do pleito, Morales culpou a oposição por organizar manifestações contra o projeto em Potosí, visando prejudicar seu governo.

No mês passado, Marco Pumari, líder do Comitê Cívico Potosinista (Comcipo), entidade que luta pelos direitos da população local, iniciou uma greve de fome, juntamente com outro ativista, em protesto contra o contrato com a ACI Systems – além de outro acordo com uma empresa chinesa.

Em Potosí, a greve de fome de Pumari e seu colega foi apoiada por protestos e bloqueios de ruas. Os manifestantes exigiam a revogação da sociedade mista entre YLB e ACI Systems e que sejam aumentados os royalties pela exploração do lítio no Salar de Uyuni.

Estima-se que o Salar de Uyuni contenha mais de 50% da reserva global de lítio, matéria-prima usada, entre outras coisas, para a produção de baterias de carros elétricos.

Conforme os termos do acordo, a YLB deteria 51% das ações da joint venture e a ACI Systems, 49%. Era prevista uma produção anual de 30 mil a 40 mil toneladas de hidróxido de lítio a partir de 2022, com investimentos de 300 a 400 milhões de euros.

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