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A reportagem do JN afetou a popularidade de Bolsonaro?

Existem indícios de que houve mudança, mas não é possível afirmar categoricamente que houve impacto negativo

A queda de popularidade de Jair Bolsonaro, registrada pela mais recente pesquisa JOTA/Ibpad, está relacionada à repercussão da reportagem do Jornal Nacional que tratou de uma citação ao nome do presidente na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes?

Existe alguma evidência de que o número de pessoas que considera o governo ruim e péssimo aumentou depois da divulgação da reportagem do JN, enquanto o número daqueles que considera o governo bom ou ótimo diminuiu. Apesar da diferença numérica para os resultados de desaprovação estar acima de 4 pontos percentuais entre os dois períodos, não é possível dizer que ela é estatisticamente significativa. Ou seja, não há evidências suficientes para dizer que essa diferença é diferente de zero porque os intervalos de credibilidade se sobrepõem neste ponto.

Ainda assim, é possível calcular a probabilidade de uma dessas taxas ser maior que outra, considerando os dois momentos de coleta das entrevistas e o tamanho do erro amostral. Resolvendo por aproximação normal a probabilidade de (A – B) ser maior que 0 (zero), encontramos as seguintes probabilidades: no caso do grupo que avalia o governo como bom/ótimo há 82% de chance de o número ser maior pós-JN do que antes, considerando o número de entrevistados pela pesquisa antes e depois da edição do telejornal.

O campo da pesquisa JOTA/Ibpad estava em andamento quando a reportagem do Jornal Nacional foi ao ar no dia 29 de outubro. Isso permite uma comparação empírica – quasi-experimental – entre a visão da população antes e depois da veiculação. Como a amostra foi aleatória, a comparação é válida e permite alguma inferência sobre o possível impacto do caso na percepção da população. No total da amostra da pesquisa, 26% foi coletado antes da reportagem e 76%, depois.

Enquanto entre aqueles que foram pesquisados antes do JN, 40,2% consideravam o governo Bolsonaro ruim ou péssimo e 33,3% ótimo ou bom, após a veiculação e a intensa repercussão do caso, o número de ruim ou péssimo subiu para 44% e o de ótimo ou bom caiu para 29%. O resultado de regular ficou mais próximo: 22% antes e 23,4% depois.

Testes simples de hipótese mostram que apesar dos resultados indicarem uma mudança de humor em relação ao presidente após a repercussão do caso, não há evidência forte o suficiente para afirmar que essa diferença é diferente de zero. Ou seja, existem alguns indícios de que houve uma mudança, mas afirmar categoricamente que houve um impacto negativo seria bastante exagerado.

Após a reportagem, o Ministério Público do Rio de Janeiro disse que depoimentos do porteiro do condomínio de Bolsonaro não condizem com realidade. A citação do nome do presidente levou caso ao STF.

A pesquisa JOTA

JOTA divulgou a sua mais recente pesquisa, em parceria com o Ibpad, em evento do Pulso Político realizado na última terça-feira (5/11/2019). Segundo a pesquisa, Bolsonaro detém 30,9% de conceitos bom/ótimo, contra 35,2% do levantamento anterior, realizado na última semana de setembro. No início da série, em julho passado, a aprovação era de 40,1%. Os entrevistados que classificam a administração de Bolsonaro ruim ou péssima somam 42,1%, variação expressiva em relação ao mês passado. Em julho, a reprovação era de 35,5%.

Já o modelo de agregação desenvolvido pelo JOTA Labs confirma que houve um aumento de rejeição ao governo de Jair Bolsonaro. O modelo considera pesquisas divulgadas pelos principais institutos do país. De acordo com o agregador, para 33% o governo Bolsonaro é ótimo ou bom – o intervalo de credibilidade estimado pelo modelo vai de 29,2% até 36,7%. Para 26,9%, o governo é regular (variando de 23,5% até 30%) , enquanto 36,8% consideram ruim ou péssimo, com intervalo entre 33,1% até 40,7%. Os dados podem ser consultados na ferramenta interativa (https://data.jota.info/aprovacao/).

 

 

 

 

jotajota

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