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No Brasil, a cirurgia bariátrica pode ser feita pelo SUS, mas também apenas para pacientes com IMC acima de 35.

Pacientes com IMC baixo também têm ganhos com cirurgia bariátrica

Cirurgia bariátrica sem restrições

A cirurgia para perda de peso, ou bariátrica, tem demonstrado melhorar ou resolver o diabetes, reduzir ataques cardíacos e derrames, além de atingir o objetivo primário de gerar uma perda de peso significativa.

Mas a operação geralmente tem sido restrita pelos planos de saúde a pessoas com obesidade grave, o que significa um índice de massa corporal (IMC) – uma medida da gordura corporal com base no peso de uma pessoa em relação à sua altura – de 35 ou mais, o que significa sobre pesos de 35 kg ou mais.

Médicos da Universidade de Michigan (EUA), contudo, estão defendendo que esses mesmos benefícios para a saúde podem ser alcançados por pacientes com sobrepeso de 22 a 32 kg e que esses pacientes têm ainda mais chances de atingir um peso saudável, ter uma qualidade de vida mais alta e melhorar ou resolver seu diabetes tipo 2.

De acordo com registros de cirurgias realizadas entre 2006 e 2018, mais de 44.000 pacientes foram submetidos a gastrectomia vertical no estado onde está localizada a Universidade, incluindo 1.073 pacientes com IMC menor que 35, que tinham maior probabilidade de ter diabetes (36,7% vs. 30,9%) e hipertensão (54,2% vs. 51%).

Vantagens da cirurgia bariátrica para IMCs baixos

Os pesquisadores constataram que mais de um terço (36,3%) dos pacientes com IMC baixo atingiram um peso saudável ou um IMC inferior a 25 em um ano, enquanto apenas cerca de 6% dos pacientes com um IMC de 35 ou mais (IMC médio 46,7) foram capazes de fazer o mesmo.

O diabetes havia melhorado tão significativamente nos dois grupos de IMC que quase 80% dos pacientes não precisavam mais tomar medicamentos orais para diabetes e quase dois terços pararam de tomar insulina após um ano. Mais da metade conseguiu interromper a medicação para hipertensão e hiperlipidemia.

O grupo com IMC mais baixo apresentou escores mais altos de bem-estar psicológico (77,9 vs. 73,0), escores de imagem corporal (52,0 vs. 42,6) e taxas de satisfação (90,9% vs. 84,6%). Contudo, as taxas de complicações nas cirurgias foram ligeiramente superiores nos casos IMCs mais baixos (6,9% vs 5,2%).

“Esperamos que o estudo incentive mais pacientes a considerar a cirurgia para perda de peso mais cedo em sua doença e que mais seguradoras de saúde reconheçam os benefícios de diminuir o atual limite de IMC para que mais pessoas que poderiam se beneficiar da cirurgia tenham acesso. A cobertura de seguro é o preço de admissão para a maioria dos pacientes e atualmente está servindo como barreira,” disse o professor Oliver Varban, diretor de cirurgia bariátrica da Universidade de Michigan.

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