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Warner ainda não sabe o que fazer com os próximos filmes do Superman

Com a Warner Bros e a DC Films conseguindo bons números e sucesso junto ao público, ainda que nem sempre na visão dos críticos, há uma grande esperança de que, a partir do próximo ano, vejamos mais acertos em Aves de Rapina — Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa e Mulher-Maravilha: 1984. Com mais um filme do Batman em andamento, assim como a tentativa de um novo Lanterna Verde, fica a dúvida: quando veremos novamente um longa do Superman?

Bem, isso fica difícil de responder, porque aparentemente nem mesmo a companhia sabe dizer isso. Henry Cavill, atual intérprete do herói, chegou a dizer que não vestiria mais a roupa do Homem de Aço e, recentemente, reposicionou-se com relação ao assunto, afirmando que ainda é o titular da posição. Contudo, há rumores de que Michael B. Jordan possa ser escalado para uma versão diferente do herói, a de Calvin Ellis, que, em outra realidade, é o presidente dos Estados Unidos.

Essa indecisão se dá, principalmente, por conta das tentativas malsucedidas nos últimos 14 anos. O reboot mais dramático e sem a ação que o povo tanto queria, em Superman — O Retorno, de 2005, sequer chegou a ter uma sequência. Também, pudera, a trama era simplesmente sem pé nem cabeça, com um personagem que, teoricamente, deveria ser rejuvenescido, e acabou ficando mais velho, pois ganhou um filho (!), depois de ficar fora da Terra durante cinco anos — e nada do que aconteceu no espaço foi explicado ou teve grandes consequências na trama.

Homem de Aço, de 2013, até acertou no que o anterior falhou, mas ainda esteve muito preso à analogia cristã e a valores que, segundo os números, funcionaram somente nos Estados Unidos. Depois disso, ainda tivemos o Clark Kent/Kal-El confuso de Batman vs Superman, em uma versão, digamos, bem mais sanguinolenta do que estamos acostumados com o personagem; e em Liga da Justiça ele não passou de um coadjuvante de luxo, em um filme todo remendado e, muitas vezes, sem sentido.

Juntando a inconsistência com a falta de um definição mais coerente, mais a fraca recepção de bilheteria fora dos Estados Unidos e a avalanche de críticas dos especialistas, chegamos ao atual cenário.

Os números não mentem

Superman — O Retorno estreou com US$ 82 milhões e arrecadou US$ 200 milhões no mercado interno, com US$ 391 milhões acumulados em todo o mundo. Com um orçamento de US$ 204 milhões, isso é considerado um resultado decepcionante. Batman Begins, também de 2005, por exemplo, custou US$ 150 milhões e fez US$ 200 milhões “em casa” e US$ 371 milhões ao redor do planeta.

Já Homem de Aço, que custou US$ 225 milhões, foi melhor no mercado interno e mundial, com US$ 291 milhões em solo estadunidense e US$ 668 milhões no total. As cifras promissoras levaram a Warner a acreditar que Superman vs Batman e Liga da Justiça, ambos liderados pelo Superman de Henry Cavill, seriam um sucesso.

Embora Batman vs Superman tenha alcançado um total de US$ 872,7 milhões e Liga da Justiça tenha arrecadado US$ 657,9 milhões, a tração para outras produções e o balanço com os orçamentos ficaram devendo, especialmente quando comparamos com o “fator Marvel” — sem contar com as inconsistências dos personagens ao longo da própria projeção individual dos filmes.

Isso tudo projeta a ideia que, de certa maneira, o conceito aplicado ao herói nos dois últimos reboots até agradou os norte-americanos, mas não teve muita relevância em outros países.

Superman agora depende de um universo cinematográfico

A Marvel também teve dificuldades para adaptar um personagem “politicamente correto” e “escoteiro” como o Capitão América, em um realidade mais crua, realista e moderna. Mas, diferente do Superman, houve melhor aproveitamento de tramas que já haviam feito isso nos quadrinhos. O Homem-Aranha de Tom Holland, personagem que teve dois reboots no mesmo período, foi melhor que as revisões do Homem de Aço.

Então, qual é o fôlego que falta ao Superman? Bem, é evidente que o universo cinematográfico da DC não é tão rico e coeso quanto o que foi construído no Marvel Studios. Mesmo quando as pessoas pudessem não se interessar por heróis mais desconhecidos ou que não vingaram para um filme solo, como o caso de Guardiões da Galáxia ou Hulk, por exemplo, foi o Universo Cinematográfico Marvel que manteve o interesse da audiência.

Além disso, a construção individual dos personagens tornou seus contrastes e semelhanças muito mais palatáveis, especialmente quando eles se encontraram em Vingadores. Você pode ver que isso também aconteceu na Warner, mas por meio de Smallville: depois de 10 anos contando a história do jovem Superman, nasceu o “Arrowverso”, que agora conta com várias séries e vai reunir criações de várias épocas da DC Comics nas telonas.

Outros tempos, outros problemas

Muitos dos atores que viram Brandon Routh vestir novamente a roupa do Superman nas gravações recentes de Crise nas Infinitas Terras, ficaram deslumbrados de como sua presença se destaca no meio dos outros heróis. E aí é que o pessoal da Warner Bros/DC Films deveria refletir melhor: o Último Filho de Krypton, que nasceu na época da Grande Depressão e era baseado em Jesus Cristo e o deus Apolo, continua sendo um símbolo de esperança, mas em um tempo de problemas distintos.

Então, se por enquanto a companhia não sabe o que fazer com o Superman, é melhor deixá-lo de molho e construir um universo que sente sua falta. Afinal, só sabemos exatamente como um herói é necessário quando vemos um mundo ruir diante de sua ausência. E isso não precisa ser feito nos moldes da Marvel, pois o charme da DC é justamente ter um Multiverso com 52 Terras paralelas e infinitas linhas temporais, como mostrou Coringa e vai revelar Crise nas Infinitas Terras.

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