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Microsoft muda regra do jogo na próxima geração de games

Matt Booty revelou que o Xbox Series X, com lançamento previsto para o fim de 2020, não vai contar com jogos exclusivos

A próxima geração de videogames deve começar diferente. Isto porque o executivo Matt Booty, chefe da Microsoft Studios, revelou que o Xbox Series X, com lançamento previsto para o fim de 2020, não vai contar com jogos exclusivos por um ou dois anos. Uma estratégia inovadora nesse mercado, em especial nos últimos 40 anos.

Tradicionalmente, os lançamentos de novos aparelhos de videogame são marcados por uma linha de títulos exclusivos que que justifique os consumidores a decidir pela compra. Muitos jogos cumpriram muito bem esse papel, como Super Mario 64. Este game apresentou ao mundo o gênero de plataforma 3D e a relevância das alavancas analógicas – introduzidas no controle do Nintendo 64 –  que hoje se tornaram padrão na indústria.

Outro exemplo é o Ridge Racer para o primeiro PlayStation, um dos primeiros títulos de corrida 3D para consoles, que simplesmente não cabia nos cartuchos da concorrência na época, apenas nos CDs do console da Sony.

A própria Microsoft se beneficiou de uma linha de títulos exclusivos no passado. Quando o primeiro Xbox surgiu, em 2001, existia uma certa desconfiança da indústria se a empresa norte-americana teria êxito em um mercado dominado por fabricantes japonesas. Mas foi justamente este olhar ocidental que fez a diferença. A Microsoft inovou ao investir prioritariamente em jogos de esporte, corrida e tiro, gêneros mais populares no continente americano e europeu.  Halo: Combat Evolved, em especial, se tornou um sucesso e referência da marca.

O Xbox Series X vai sim ganhar um novo game da franquia: Halo Infinite. Porém, este e outros títulos, como o já anunciado Hellblade 2, também serão disponibilizados para o atual videogame da companhia, o Xbox One, e computadores.

A ideia é seguir algo já comum no mercado de tecnologia, como no mercado de venda de smartphones, com lançamentos de hardware cada vez mais frequentes, e faixas de preço e propósitos semelhantes, mas distintos.  Afinal, você já ouviu falar em filme ou série de TV que não possa ser assistida nas TVs mais modestas? Ou um jogo para celular que só funcione nos aparelhos mais caros disponíveis atualmente?

O que a Microsoft quer, portanto, é focar em conteúdo que possa ser usufruído nos aparelhos já disponíveis nas casas dos consumidores, enquanto amplia as vendas do novo videogame. Para incentivar o upgrade, a empresa pretende realçar os atributos do Xbox Series X, como imagens em alta resolução e o fim das telas de carregamento. Além disto, o videogame vai ser retrocompatível com toda a biblioteca disponível hoje e futuramente no Xbox One, incluindo algumas centenas de games do Xbox 360 e do Xbox original.

Outra grande aposta é o Xbox Game Pass, serviço de assinatura que permite ao usuário baixar e experimentar centenas de games sem qualquer custo adicional. O modelo tem se provado um sucesso de crítica e público: segundo dados da própria Microsoft, assinantes da plataforma jogam 40% mais games que não-assinantes. Futuramente, a Microsoft quer adotar o game por streaming, sistema que não exige downloads prévios e tem como propósito oferecer exatamente a mesma experiência em qualquer aparelho, de smartphones a videogames ultramodernos.

Ainda há incertezas de como o mercado vai reagir. A Sony já garantiu que o PlayStation 5 terá games exclusivos. A expectativa é de que a empresa japonesa anuncie nos próximos meses mais informações sobre o console. Por enquanto, a única novidade, além do nome e logo do console, é que a fabricante vai mais uma vez se ausentar este ano da E3, maior feira de games do mundo e tradicional palco de anúncios do setor, que nos últimos anos tem perdido relevância por conta da internet.

A Microsoft, por outro lado, vai aproveitar a E3 2020 para divulgar todos os detalhes que ainda faltam sobre o Xbox Series X, como linha de jogos de lançamento e preço. Fica a torcida para que a Microsoft não repita o fracasso do anúncio do Xbox One feito em 2013. Na ocasião a empresa apresentou poucos games e priorizou a oferta de conteúdo de TV e cinema no console. Sem falar na obrigatoriedade de o jogador precisar estar o tempo todo online, e a incompatibilidade do aparelho com jogos usados. Esses dois aspectos foram abandonados muito antes do lançamento depois da enxurrada de críticas.

Tal antimarketing manchou a imagem do Xbox One, que hoje conta com uma base instalada muito inferior aos concorrentes PlayStation 4 e Switch. A falta de títulos exclusivos na plataforma é um dos motivos para muitos investirem nos consoles da concorrência, ou mesmo em games para computador.

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