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Multidão participou da missa em Luján, em meio a faixas, bandeiras argentinas e lenços azuis

Católicos celebram missa contra o aborto na Argentina

Milhares de pessoas participam de missa “a favor da vida” após presidente anunciar proposta para legalizar o aborto. Interrupção da gravidez no país só é permitida em casos de estupro ou risco para a vida da mulher.

A Igreja Católica da Argentina celebrou  uma missa “a favor da vida”, com a participação de milhares de pessoas vestidas de azul, poucos dias depois de o presidente Alberto Fernández anunciar que enviará ao Congresso um projeto de lei para descriminalizar o aborto.

Convocada para o Dia Internacional da Mulher, a missa campal reuniu uma multidão em frente à Basílica de Luján, localizada 75 quilômetros a oeste de Buenos Aires e epicentro das celebrações católicas no país natal do papa Francisco.

“Milhões de argentinos e argentinas, crentes e não crentes, têm a profunda convicção de que existe vida desde a concepção”, disse Oscar Ojea, presidente da Conferência dos Bispos da Argentina. “É injusto e doloroso chamá-los de antidireitos ou hipócritas”, acrescentou, referindo-se ao discurso de Fernández, que, ao anunciar o envio do projeto de legalização do aborto ao Congresso, considerou hipócrita negar que “o aborto acontece”.

Uma multidão de pessoas ouviu a mensagem de Ojea da esplanada da Basílica, em meio a faixas, bandeiras argentinas e lenços azuis. A cor contrasta com o verde do lenço dos movimentos feministas, que anunciaram uma greve e mobilizações de mulheres para esta segunda-feira.

A mensagem de Ojea foi aplaudida pela plateia, que também carregava faixas com slogans como “pelo direito à vida”, “sim às mulheres, sim à vida” e “salvem ambas as vidas”. Ao mesmo tempo, foi realizado um “panelaço” em frente à catedral da cidade de Buenos Aires, onde se concentraram centenas de pessoas com seus lenços verdes, associados à luta pela legalização do aborto “sem restrições, seguro e gratuito”.

Ojea pediu que “o diálogo seja o caminho dos debates sociais na Argentina a partir do respeito, e não da dialética emocional daqueles que impõem e silenciam aqueles que pensam e se sentem diferentes”. Ele ressaltou que a “desqualificação e a estigmatização não fazem nada além de aprofundar as divisões entre os argentinos”.

Na Argentina, o aborto é permitido apenas em casos de estupro ou quando há risco para a vida da mulher, conforme estabelecido no Código Penal desde 1921. Fora esses casos, o aborto é crime passível de pena, que vai de um a quatro anos de prisão.

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