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Tem havido grande preocupação na comunidade médica com o tratamento exagerado do diabetes.

Diabetes tipo 1 pode ser duas condições que precisam de tratamentos diferentes

Tipos de diabetes

diabetes geralmente se apresenta de duas formas: tipo 1 e tipo 2. Mas novas descobertas sugerem que o diabetes tipo 1 pode na verdade conter duas condições distintas.

Pessoas com diabetes tendem a ter níveis elevados de açúcar no sangue. Isso ocorre porque elas não têm ou não respondem à insulina, um hormônio que permite que o açúcar seja absorvido pelas células e convertido em energia ou armazenado. O diabetes tipo 1 se desenvolve porque o sistema imunológico ataca as células do pâncreas que produzem insulina.

A idade em que uma pessoa é diagnosticada com diabetes tipo 1 parece estar ligada à gravidade de seus sintomas. “Uma criança diagnosticada antes dos 5 anos de idade provavelmente terá uma forma mais grave da doença do que alguém com mais de 30 anos,” explica a professora Sarah Richardson, da Universidade de Exeter (Reino Unido).

Para descobrir o porquê, Richardson e seus colegas analisaram 32 amostras de pâncreas extraídas de pessoas jovens com diabetes. Eles encontraram duas categorias distintas. Em um grupo, os pâncreas não pareciam produzir insulina adequadamente e sofreram um ataque mais forte do sistema imunológico.

Na outra categoria, as amostras de pâncreas continham menos células imunes e também havia sinais de que eram melhores na produção de insulina. O ataque imunológico era muito menos intenso nessa segunda categoria, disse Richardson.

Endotipo 1 e endotipo 2 de diabetes tipo 1

Os pesquisadores então analisaram amostras de sangue de 171 pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 1 antes de completarem 30 anos. Eles encontraram o mesmo padrão: as pessoas pareciam se enquadrar em uma das duas categorias, dependendo de quão bem o pâncreas produzia insulina.

As duas categorias correspondem à idade dos pacientes. Pessoas cujo diabetes tipo 1 envolvia baixa produção de insulina e um forte ataque imunológico tendiam a ser mais jovens. A equipe chamou esse grupo de “endotipo 1”. No voluntários analisados, “praticamente todo mundo com menos de 7 anos se enquadra nessa categoria,” disse Richardson.

As pessoas diagnosticadas quando tinham 13 anos ou mais tenderam a se enquadrar na categoria composta por indivíduos cujos pâncreas tinham menos células imunes, o que a equipe chama de “endótipo 2”.

Aqueles diagnosticados com idade entre 7 e 12 anos se enquadraram aleatoriamente em uma das categorias.

Em termos práticos e terapêuticos, “o resultado é o mesmo – ambos precisam de insulina – mas podem ter chegado lá por caminhos diferentes,” disse Richardson.

A descoberta recente de que as células mudam de identidade trouxe esperança de cura para o diabetes.

A descoberta recente de que as células mudam de identidade trouxe esperança de cura para o diabetes.

Novos tratamentos para novos diabetes

A pesquisadora acredita que a descoberta de novos tipos mais específicos de diabetes pode levar a tratamentos diferentes. As pessoas que têm o endotipo 2, por exemplo, podem se beneficiar de um tratamento que preserve as células do pâncreas que produzem insulina, mas tratamentos assim ainda precisam ser desenvolvidos.

No momento, o diabetes tipo 1 é tratado com insulina, embora os pesquisadores estejam testando novas imunoterapias que matam as células imunológicas que atacam o pâncreas. Até agora, os ensaios clínicos em adultos não foram promissores. Mas o tratamento pode funcionar melhor em crianças pequenas porque as células imunológicas parecem ter um papel mais importante em sua doença, sugere Richardson.

Em 2018, pesquisadores da Suécia e da Finlândia classificaram quase 15.000 pessoas com diabetes em cinco categorias – e não apenas duas – com base na idade, índice de massa corporal, açúcar no sangue, produção e sensibilidade de insulina.

A professora Richardson e sua equipe afirmam que um dos endotipos parece se alinhar com uma dessas cinco categorias, mas o outro não, o que torna possível que haja de fato seis tipos de diabetes. Somente novos estudos poderão confirmar ou descartar essa hipótese.

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