CIA oculta dados sobre espionagem na Espanha

A Inteligência dos EUA espionou os sindicatos, partidos e organizações de esquerda no país espanhol

Durante mais de 40 anos, que compreendem tanto a ditadura franquista, como a posterior transição à democracia, a Inteligência dos EUA espionou os sindicatos, partidos e organizações de esquerda na Espanha, mostrando um interesse especial pelo primeiro governo (1982) do socialista Felipe González.

Entre uma série de documentos desclassificados recentemente, mas, todavia, parcialmente censurados, encontram-se os fragmentos das reuniões de organizações de esquerda clandestinas em pleno franquismo, como a celebrada pela Confederação Nacional do Trabalho (CNT) de ideologia anarcossindicalista em setembro de 1947.

Estes fragmentos se mantiveram durante décadas, tanto na ditadura, como na democracia, como constata o jornal Público. Desde 1985 até no mínimo 1985, sucederam os relatórios sobre sindicatos de esquerda, como a Confederação Sindical de Comissões Operárias (CC.OO, na sigla em espanhol), UGT (União Geral de Trabalhadores) e CNT (Confederação Nacional de Trabalho) sobre diferentes partidos políticos, como o Partido Comunista da Espanha (PCE) e Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Sobre o último, um foco especial foi colocado após a sua chegada ao poder em 1982.

1982: o PSOE de González chega ao governo

Em dezembro de 1982, a CIA elaborou o relatório sobre todos os membros do governo recém-formado por Felipe González. Como presidente, classificaram-no de “politicamente pragmático a não idealizado” e o resto do seu gabinete foi catalogado atendendo a sua moderação ou suas posições de esquerda. Fernando Morán, ministro das Relações Exteriores, era situado como “algo mais de esquerda e doutrinário, do que o resto do gabinete”, e ao vice-presidente, Alfonso Guerra, foi atribuído um “estilo de confrontação” e uma “retórica esquerdista”.

Um dos mais estimados para a Inteligência dos EUA, foi o então ministro da Defesa, Narcís Serra, que combinava “o pragmatismo com uma imagem radical” para “servir de ponte entre as alas moderada e esquerdista do partido”, e o ministro do Interior, José Barrionuevo, posteriormente condenado por seus vínculos com o terrorismo de Estado, que valorizava que sua “dura resposta contra o terrorismo produziu alguns progressos”.

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