Quando remédios e tratamentos fazem mais mal do que bem

Quando o remédio traz doença

“A terapia medicamentosa não otimizada é um enorme custo evitável,” dizem os dois pesquisadores

O aumento dos preços dos medicamentos tem recebido muita atenção ultimamente, mas o custo real dos remédios quando você avia uma receita vai além dos reais e centavos da conta da farmácia.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia estimaram que as doenças e as mortes resultantes de terapias com medicamentos não otimizados custam US$ 528,4 bilhões por ano, o equivalente a 16% do total de gastos com assistência médica nos EUA em 2016.

“Em termos ideais, quando você está doente, um profissional de saúde lhe prescreve um medicamento, você o toma como indicado e melhora.

“Mas o que acontece uma grande parte das vezes é que o regime de medicação não é otimizado. Em outras palavras, a receita pode não ser exatamente apropriada para sua indicação – não é exatamente a medicação ou a dose correta – ou você simplesmente não toma a medicação por qualquer razão, não toma como indicado, ou o medicamento causa um evento adverso ou um novo problema de saúde,” afirmam Jonathan Watanabe e Jan Hirsch.

Ou seja, o problema não é apenas a falta de adesão do paciente – não tomar a medicação, ou não tomar como indicado. A terapia medicamentosa não otimizada também inclui casos em que um medicamento contribui para um novo problema de saúde. Por exemplo, o inibidor da enzima de conversão da angiotensina que você está tomando para baixar a pressão arterial faz com que você tussa, então você toma um remédio contra tosse e resfriado que também inclui um ingrediente que aumenta a pressão sanguínea e aumenta o risco de sonolência e queda, explicou Watanabe.

“Nesse caso, o tratamento com medicamentos está funcionando como uma nova doença,” acrescentou Hirsch.

Medicações não otimizadas

A equipe acrescenta que não é possível mensurar com exatidão todos os efeitos porque ainda não há sistemas de rastreamento de medicamentos e dos tratamentos e de codificação das doenças e efeitos colaterais que permitam um monitoramento mais preciso. Mas tudo isso tem que ser criado e implantado com vistas à melhoria da saúde global, defendem.

Estas medicações não otimizadas podem ajudar a explicar, por exemplo, porque a expansão da indústria farmacêutica piora a saúde pública.

“A terapia medicamentosa não otimizada é um enorme custo evitável. Se os medicamentos fossem prescritos, monitorados e tomados adequadamente, não enfrentaríamos esse custo, e os pacientes seriam mais saudáveis,” disse Hirsch.

O estudo foi publicado na revista médica Annals of Pharmacotherapy.

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