Como ensinar educação financeira desde o ensino fundamental?

A educação financeira deve ser inserida ou não ao currículo escolar?

Quando as crianças têm seus primeiros contatos com a televisão, ou indo ao supermercado, uma loja, ela se torna uma pré “consumidora”. Muitos pais e responsáveis não sabem o que fazer quando a criança pede algo. Muitas vezes sem pensar atendem ao desejo da criança, mas depois se arrependem, pois, gastam o dinheiro sem planejamento.

Normalmente, com o passar do tempo essas crianças se acostumam com o hábito de falar eu quero esse, aquele e mais aquele. Infelizmente, nem todos os pais e responsáveis conseguem falar não e explicar o motivo do não. Com essa ação, a criança não aprende a moderar o seu impulso e acaba sempre querendo mais, mesmo que não utilize depois.

A educação financeira é uma tarefa árdua porque precisa ter tempo e paciência. Os pais e responsáveis mais controlados conseguem disciplinar as crianças que com o tempo entende que para comprar precisa-se ter o dinheiro.

Vou dar um exemplo real: Uma mãe que costuma pagar as compras com o cartão de crédito. A criança vê esta situação. Um dia quer comprar um brinquedo que vê na televisão. A mãe fala para a criança que não pode comprar o brinquedo, pois está sem dinheiro. A criança pega na bolsa da mãe o cartão de crédito e fala “paga com esse”.

A criança não entende que a mãe depois terá que pagar a fatura do cartão de crédito. Então o que fazer?

A educação financeira prega que é importante e necessário o contato das crianças com o dinheiro e saber como utilizá-lo da forma correta. Jovens e crianças precisam compreender como ganhar o seu dinheiro, como economizar e como gastar principalmente para não ficar sem depois. Dessa forma, confira como a Educação Financeira é importante ser abordada!

A educação financeira e o comportamento

A educação financeira é de fundamental importância para a vida. Todos devem ser alfabetizados financeiramente para obter habilidades e competências saudáveis para a participação na sociedade moderna.

Podemos afirmar que a alfabetização financeira é uma habilidade vital para a participação da criança neste mundo cada vez mais complexo. Alguns pais e responsáveis não conseguem gerir bem a situação financeira da família e com isso não conseguem ensinar o modo correto de se ter uma vida financeira saudável.

Neste caso a criança ou jovem terá que se encarregar do seu próprio futuro financeiro. Há projetos de empreendedorismo em algumas escolas que visão contribuir para a educação financeira.

A escola pode ajudar?

O suporte escolar é muito importante, pois estes alunos necessitarão aprender a viver de forma independente. Eles precisarão saber:

  • Como fazer uma lista de compras identificando o que é supérfluo e o que é necessário;
  • Como fazer um orçamento ou pesquisa de preço antes de comprar;
  • Controlar o que ganha e administrar seus gastos;
  • Verificar a melhor escolha de telefonia móvel e internet.

Estas escolhas não são nada fáceis, a princípio necessitam de educação financeira, para lidar sabiamente com o dinheiro na vida cotidiana. Os alunos precisam aprender a gerenciar o que ganham para gastar da melhor forma possível.

Quando se aprende a planejar seus gastos, iniciam a pensar antes de adquirir alguma coisa. Com o passar do tempo não assumem uma dívida incontrolável e começam a guardar o dinheiro prevendo intercorrências, a sua velhice e cuidados de saúde.

Atenção aos contratos das Instituições financeiras

Atualmente existem diversos produtos e serviços financeiros em relação ao crédito. E estão cada vez mais acessíveis aos jovens. Porém, possuem contratos complicados e de difícil leitura. Até para a abertura de uma conta bancária, os contratos possuem letras muito pequenas e normalmente não são lidos na íntegra.

No entanto, deve-se ensinar na educação financeira que todo contrato que se assina deve ser lido na íntegra. Uma dica importante é lembrar que nem sempre o jovem compreende os termos que estão escritos. Vale a pena lembrá-los que toda vez que não entender, precisa pedir explicações antes de assinar o documento.

Mesmo que pareça ser uma pequena decisão envolvendo um valor baixo. Ela pode gerar um impacto duradouro sobre o jovem. Vale a pena ressaltar que as causas de uma grande crise financeira se iniciam com pequenos gestos, que levam a decisões mal informadas, como por exemplo no caso dos empréstimos.

A educação financeira pode influenciar também no bem-estar psicológico e físico das pessoas. Podendo capacitar e equipar os jovens com o conhecimento, as habilidades e a confiança para assumir o controle de suas vidas e de construir um futuro mais seguro.

A educação financeira é um tema transversal?

Vamos propor uma reflexão, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais:

“A transversalidade diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender na realidade e da realidade de conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade e da realidade)”. (PCN, p. 27)

Visto que os temas transversais breve o trabalho com a aprendizagem sobre a realidade e na realidade, logo a Educação Financeira pode ser ensinada como complemento a prática social e transpassando todas as disciplinas.

Uma vez que a educação financeira trata da ética nos relacionamentos, como por exemplo: a rejeição à corrupção, alerta sobre a negociação justa, valoriza o cumprimento de prazos e valores acordados nos contratos.

Além de trabalhar a consciência ambiental com o uso racional dos recursos naturais, o combate ao desperdício: não adquirir além do que consome, o respeito à natureza, valoriza a visão coletiva e humanitária. Bem como os valores de responsabilidade social, tendo uma visão coletiva, o espírito solidário, a consciência tributária e a defesa da sustentabilidade.

Embora os Parâmetros Curriculares Nacionais não afirmem que a Educação Financeira é um tema transversal, devemos refletir sobre a presença das questões financeiras e do dinheiro no nosso cotidiano. Portanto, este tema transpassa por todos os ambientes que atuamos.

Atualmente, os professores trabalham estas questões de diferentes formas, existem uma infinidade de instrumentos e discursos que valorizam algumas abordagens. Desde o trabalho inicial com as Fábulas de Esopo até o material impresso do Sebrae sobre empreendedorismo.

A importância da educação financeira

No momento atual, algumas pesquisas nacionais indicam que os jovens e os adultos possuem um nível muito baixo de literacia financeira. Esses dados demonstram que muitas pessoas por sua incapacidade geral de escolher os produtos financeiros, não conseguem realizar um planejamento de seus recursos financeiros a longo prazo.

Com isso, aumenta-se a inadimplência e diminui o poder de compra das famílias, que acabam pagando juros absurdos por conta desta imperícia financeira. Dessa forma, as crianças e adolescentes não possuem exemplos em casa e necessitam deste ensino na escola.

Então, podemos afirmar que desde cedo, as crianças precisam desenvolver as habilidades para ajudar a se preparar melhor para a vida econômica. Desde a economia doméstica até a escolha de carreira, trabalhando melhor com o dinheiro sem criar dívidas.

Em 2005, a OCDE recomendou que a educação financeira fizesse parte do currículo escolar. Em 2012, a alfabetização financeira se tornou um componente opcional do Programa da OCDE para Avaliação Internacional de Estudantes (PISA). O PISA atualmente realiza provas aos adolescentes de 15 anos em matemática, leitura e ciência em cerca de 65 países.

De acordo com as recomendações da OCDE de 2005, a cada ano há um crescimento do reconhecimento da importância da alfabetização financeira e com isso, muitos países já incluíram educação financeira nos currículos escolares.

No entanto, por se tratar de uma nova demanda social existem barreiras que necessitam serem superadas:

  • Falta de vontade política;
  • Falta de recursos e materiais;
  • Falta de reorganização curricular;
  • Conhecimentos insuficientes.

Como colocar em prática esta demanda?

Não existe uma única receita para o sucesso, mas os países que mais avançaram na relação da educação financeira, coordenaram estratégias que foram difundidas em todas as escolas. Vejamos algumas estratégias:

Estabelecimento de metas, ações, resultados, conteúdo, abordagens pedagógicas, recursos e planos de avaliação. O conteúdo deve abranger conhecimento, habilidades, atitudes e valores. Pode ser estabelecido de forma nacional, regional ou local;

Na medida do possível, uma fonte sustentável de financiamento deve ser identificada no início;

A educação financeira deve começar o mais cedo possível, idealmente no início da escolaridade formal, e continuar até o final da escolaridade dos estudantes na escola.

A educação financeira deve ser inserida como parte integrante das disciplinas de matemática, língua portuguesa, ciências sociais ou cidadania. Pode ser considerada o exemplo do contexto real.

Os professores necessitam de treinamento e ter os recursos adequados, para poder consolidar o seu trabalho com os alunos.

Material de Empreendedorismo Sebrae

O Sebrae criou o curso Jovens Empreendedores Primeiros Passos, que pretende incentivar os alunos a buscar o autoconhecimento, as novas aprendizagens e estimular a coletividade. Tem como objetivo transformar e incentivar à quebra de paradigmas e o desenvolvimento das habilidades e dos comportamentos empreendedores.

O curso apresenta algumas práticas de aprendizagem, desenvolvendo a autonomia e as habilidades de gerenciamento global da vida em todos os aspectos. Além de considerarem os quatro pilares da educação propostos pela Unesco: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a conviver e aprender a ser.

Essas são características fundamentais para a iniciação do comportamento empreendedor, nos quais o aluno trabalha em grupo, realiza atividades e participa ativamente do processo de ensino e aprendizagem.

O curso é dividido por série e os temas são:

  • 1º ano: O mundo das ervas aromáticas;
  • 2º ano: Temperos naturais;
  • 3º ano: Oficina de brinquedos ecológicos
  • 4º ano: Locadora de produtos;
  • 5º ano: Sabores de cores;
  • 6º ano: Eco papelaria;
  • 7º ano: Artesanato sustentável;
  • 8º ano: Empreendedorismo social;
  • 9º ano: Novas ideias, grandes negócios.

Deixe seu comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

%d blogueiros gostam disto: