Pessoas infectadas podem gerar até 80% dos novos casos de dengue

Pessoas que “transmitem” dengue

Durante os surtos de dengue, você deve ter ouvido inúmeras entrevistas de médicos e autoridades de saúde falando que a dengue não é transmissível, portanto não há nenhuma preocupação em ter alguém com dengue na família

É o caso típico de uma má orientação dos médicos e das autoridades de saúde – e pode valer para doenças que atingem 1 bilhão de pessoas.

É fato que um ser humano não pode transmitir dengue para outro ser humano de forma direta.

Mas essas recomendações podem estar gerando consequências devastadoras para a proliferação da doença.

Ocorre que as pessoas que já foram infectadas com o vírus, por meio do pernilongo Aedes aegypti, e que praticamente não apresentam sintomas nos dias seguintes à picada, são provavelmente a principal fonte de dengue, garantem Quirine Bosch e seus colegas da Universidade de Notre Dame (EUA), em um artigo publicado na revista científica PLOS Pathogens.

A equipe estima que mais de 80% das infecções por vírus da dengue podem ser atribuídas às pessoas com sintomas leves ou sem sintomas que ainda nem sequer procuraram um médico.

Isto porque grande parte da transmissão do vírus da dengue é resultado de mosquitos Aedes aegypti picando pessoas já infectadas antes do início dos sintomas – no momento em que esses sintomas aparecem, a oportunidade de impedir que o vírus se espalhe já passou.

“Até alguns anos atrás, supunha-se que indivíduos com sintomas leves ou sem sintomas contribuíam relativamente pouco para a transmissão do vírus da dengue.

“Nossa pesquisa revela que as pessoas que não apresentam sintomas da infecção pelo vírus da dengue estão contribuindo muito mais [para o espalhamento da doença] do que se admitia até agora, de forma que agora temos uma ideia melhor do quanto elas contribuem para a propagação desta doença,” disse o professor Alex Perkins, coordenador da pesquisa.

Evite ser picado – antes ou depois

Atualmente, as autoridades de saúde – incluindo a Organização Mundial de Saúde – concentram os esforços de vigilância das doenças na detecção de surtos, monitorando tendências no número de casos e avaliando a possibilidade de epidemias. No caso da dengue, essa vigilância abrange o monitoramento de casos suspeitos e confirmados.

“Infelizmente, com base em nosso estudo, aqueles que precisam ser alvo de intervenções estão sendo identificados depois de já terem contribuído para a transmissão ou nem mesmo estão sendo identificados,” disse Perkins. “Nossos resultados indicam que pode ser necessário mudar a ênfase para estratégias mais proativas de prevenção de doenças que não se baseiem fortemente em responder a casos já detectados.”

Assim, como já aconteceu antes com a malária – os pernilongos transmissores picam mais as pessoas já com malária -, o recado a se levar para casa é: se você está com suspeita de dengue, cuide dos seus familiares e vizinhos protegendo-se ao máximo de novas picadas.

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