Nove perguntas que a cúpula entre Trump e Kim não soube responder

Leia questões que não ficaram suficientemente esclarecidas após a reunião

encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un nesta terça-feira (12) em Singapura produziu um acordo que prevê a desnuclearização da península Coreana, mas o documento e a posterior entrevista coletiva do presidente americana deixaram ainda bastante dúvidas – o líder norte-coreano, como é de hábito, não falou sobre o tema após o evento. Leia nove questões que não ficaram suficientemente esclarecidas após a reunião.

1 – O documento desta terça-feira (12) significa o fim do programa nuclear norte-coreano?

Não, está ainda muito longe disso. O texto fala apenas em “inquebrantável compromisso com a total desnuclearização da península Coreana”, mas não dá detalhes de como isso funcionaria. Além disso, está bastante aquém do desejado por aliados de Donald Trump antes da reunião, sem mencionar a necessidade de inspeções e de ser irreversível.

Os próximos encontros entre autoridades dos diplomatas dos dois países serão responsáveis por decidir essas medidas, mas é preciso lembrar que os norte-coreanos têm um histórico de blefes, não cumprindo as promessas após alcançarem suas metas.

2 – Os EUA vão deixar de ter militares na península Coreana? Quando isso vai acontecer?

Trump afirmou que pretende trazer de volta para os EUA os soldados americanos que hoje estão na Coreia do Sul, mas que isto não está no momento nas negociações. O que está em discussão, e foi prometido, é que os EUA vão suspender os exercícios militares conjuntos com os sul-coreanos.

3 – Quantos soldados os EUA têm na Coreia do Sul?

São 28,5 mil, segundo o Ministério da Defesa americana no mês passado – Trump falou em 32 mil na entrevista coletiva desta terça.

4 – As sanções internacionais vão acabar?

O presidente americano falou que “no momento” elas vão continuar de pé, ou seja, que o fim delas vai depender de os norte-coreanos cumprirem com sua parte. A China, no entanto, sugeriu, após o encontro, que a comunidade internacional poderia retirar a punição. A posição de Pequim é fundamental para o sucesso das sanções econômicas, já que a China é responsável por 90% do comércio internacional da Coreia do Norte. No início deste ano, todas as indicações apontam que os chineses estavam cumprindo a punição com rigor, mas o próprio Trump disse em Singapura que já há sinais de que isso não é mais verdade, com indícios de relaxamento.

5 – A Guerra da Coreia chegou ao fim?

Não, é mais um passo depois do encontro entre os líderes das duas Coreias em abril. O acordo fala em “construção de um regime de paz sólido e duradouro”, mas o fim da guerra depende da assinatura da China, além do aval dos EUA e das duas Coreias.

6 – A Coreia do Norte vai se abrir para o resto do mundo?

Apesar de o vídeo apresentado por Trump para Kim falar em promessas de investimentos no país, o ditador norte-coreano aparentemente não indicou nenhuma mudança no regime.

7 – O regime norte-coreano é um dos mais cruéis do planeta. O encontro tratou de direitos humanos?

O documento em nenhum momento trata sobre isso. Trump garante que o tema foi abordado na conversa com Kim, mas não deu nenhum detalhe. O americano, que anteriormente disse que a Coreia do Norte era uma “ditadura cruel”, desta vez afirmou que a situação lá era “dura”, mas o que o mesmo era verdade em outros lugares.

8 – E os mísseis intercontinentais comuns? E o desenvolvimento de armas químicas?

Nem o acordo nem a entrevista de Trump deram algum tipo de pista sobre mudanças envolvendo o tema.

9 – Kim e Trump vão se encontrar nos EUA? Quando isso vai acontecer?

O presidente americano disse que o norte-coreano aceitou o convite, mas que isso vai acontecer no “tempo certo”. Mais uma vez, os EUA estão dependendo do avanço das negociações e de a Coreia do Norte cumprir com sua parte. Uma das hipóteses aventadas pela imprensa americana é que a reunião poderia acontecer durante o período da Assembleia-Geral da ONU, que acontece em setembro em Nova York.

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